Capítulo Cinqüenta e Seis – Sobre cachorros mortos e marchas apropiadas para o momento

domingo, 27 junho 2004 § Deixe um comentário

-A marcha nupcial?
-É, a marcha nupcial. Aquela música que toca quando a noiva entra na igreja.
-Eu sei que música é. Mas é estranho alguém ficar com a marcha nupcial na cabeça.
-Você nunca ficou com uma música grudada na cabeça? Geralmente uma música ruim que você não consegue parar de cantarolar.
-A marcha nupcial é ruim?
-Não sei, nunca parei pra pensar nisso. É o tipo de coisa que você conhece desde sempre e nunca questiona.
-Você acha que a gente devia questionar a marcha nupcial?
-Olha, você está desviando o assunto.
-Tudo bem, continue.
-Então, lá estava eu assoviando a marcha nupcial na rua, era tarde da noite. Quando eu viro a esquina e dou de cara com um cachorro morto.
-Cruzes! Morto?
-Morto. Pelo menos tava lá estendido, parado. A gente sente quando vê alguma coisa morta, sabe?
-Sei bem como é.
-Pois então, não é estranho?
-É sempre estranho ver algo morto.
-Não, estou falando de eu ver o cachorro morto justo quando tava assoviando a marcha nupcial.
-Foi uma coincidência, oras. Talvez um pouco macabra, mas uma coincidência.
-Mas justo a marcha nupcial? Se ainda fosse a marcha fúnebre…
-Aí seria um filme de terror… Peraí!
-Que foi?
-O cachorro: era macho ou fêmea?

Anúncios

Onde estou?

Você está atualmente visualizando os arquivos para junho, 2004 em o projeto sem nome.

%d blogueiros gostam disto: