Capítulo Cinqüenta e Cinco – Quem precisa de uma idéia?

quinta-feira, 27 maio 2004 § Deixe um comentário

-Você viu uma idéia minha por aí?
-Perdeu de novo?
-Mas essa é nova, eu tinha comprado hoje de manhã. Nem tinha usado.
-Você não usou, né? Por que aposto que não era original. Você compra idéia em cada lugar…
-Ah, mas o cara me garantiu que era semi-nova. Só tinha sido usada num texto chinês do século VIII. E mal usada.
-E quem ia lá se interessar por uma idéia dessas?
-Ah, tá na moda modernizar idéias antigas.
-Tá. Mas como era essa idéia?
-Bom, não era muito grande, não. Tinha só uns dois ou três personagens. Uma história de amor, coisa batida, eu sei. Mas tinha algo de diferente que eu não lembro o que era. Por isso que eu tô procurando ela.
-Será que seu irmão não pegou? Você sabe que ele adora roubar as suas idéias…
-Não, não foi ele dessa vez, não. Eu vi o que ele tava escrevendo.
-Mas você também, hein? Podia ter um pouco mais de cuidado…
-Eu coloquei ela aqui nessa caixa! Juro que tava aqui hoje de manhã.
-Será que a empregada não colocou pra reciclar achando que era idéia usada?
-Ela não costuma mexer nas minhas idéias, diz que tem muita safadeza…
-Também, depois daquela história sobre a vida sexual da tribo de adoradores do deus-gorila e seus sacríficios… não gosto nem de lembrar…
-Mas foi você mesmo que me levou naquela exposição de idéias inovadoras e excêntricas…
-Eu só estava curioso. Você que se empolgou.
-Achei que aquilo fosse te animar. Com o fracasso do seu último livro, você estava tão pra baixo…
-Fracasso? Vendeu mais que o seu…
-Mas pelo menos não ouvi críticas pesadas como as suas…
-Claro, os críticos nem lêem mais seus livros. Criticar você é chover no molhado.
-Ah, é? Pelo menos tem gente de verdade que compra meus livros! E aposto que foi você que roubou minha idéia, seu invejoso!
-Ah, me esquece vai…

Capítulo Cinqüenta e Quatro – Enquanto isso, perto do banheiro masculino…

domingo, 16 maio 2004 § Deixe um comentário

-Com licença, você vem sempre aqui?
-Você podia ser um pouco mais original, né? Essa cantada meu vô usava…
-Não, eu só queria saber se você conhece o lugar por que eu preciso saber onde é o banheiro.
-Ai, me desculpa, é que esses caras ficam incomodando a gente, então nunca se sabe…
-Tudo bem, mas é que eu realmente preciso ir ao…
-Banheiro, já sei. É logo ali..
-Ah, obrigado.
-Mas toma cuidado.
-Cuidado? Por quê?
-O cheiro desse baheiro não é nada agradável…
-Ah.. – e ele já ia entrando no banheiro quando se deu conta – Como é que você sabe?
-É que dá pra sentir do banheiro feminino
-Claro! Com licença…
-Espera aí, você nem me disse o seu nome…
-Desculpe – e feitas as devidas apresentações – Agora…
-Nem precisa dizer. Olha, eu até que gostei de você. Se importa se eu te esperar aqui?
-Não, claro que não.
-Só mais uma coisa, você está sozinho?
-Não, estou com uns amigos. – na verdade ele estava sozinho e bebendo muito, por isso precisava ir ao banheiro. Sozinho que nem ela.
-Eu também estou com umas amigas. Vai lá, já estou te incomodando.
-Imagina… Com licença.
Entrou no banheiro, fez o que tinha que fazer e pulou a janela. Só pra não ter que voltar lá e conversar com aquela chata maluca.

E nem pagou a conta.

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