Capítulo Treze – Quandos As Coisas Tomam Um Rumo Inesperado

sábado, 26 abril 2003 § Deixe um comentário

…e entram correndo num beco escuro e úmido. O barulho dos pneus passa direto, o único alívio que tiveram aquela noite. Descem do carro para se certificarem de que estão mesmo seguros. À frente um muro alto.
-E agora?
-E agora o quê? Eu preciso descansar..
-Tá maluca?! Não viu que eles vão atrás de nós até inferno?
-E daí? A gente vai ser pego de qualquer jeito…
-É, se a gente ficar parado aqui vai mesmo, mas talvez a gente consiga escapar…
-Eu não tenho mais vontade de continuar fugindo… se me pegarem tudo bem, que mal pode acontecer?
Antes que ele repondesse ouviram um barulho metálico que os assustou e os fez ficarem calados até descobrirem se tratar de um gato numa lata de lixo. Às vezes até os gatos podem ser assustadores, principalmente num beco escuro e úmido.
-Puta que o pariu! Gato filho-da-puta!
-Calma, nervosinho, o gato não tá atrás da gente…
-E deve ser o único na cidade inteira que não quer a nossa pele.
-Que exagerado!
-Ah, isso é que não! Você não faz idéia do que eles são capazes… você nunca ouviu as histórias terríveis dos que já passaram pelas mãos daquele bando de abutres… eles gostam é de sangue…
-Você acredita demais nos outros. Por isso é que se dá sempre mal. De qualquer forma se eles sobreviveram pra contar, não deve ser tão terrível assim… – concluiu com um sorriso nos lábios.
-Isso lá é hora pra brincadeira! A gente tem é que dar o fora já!
-Pois eu não vou! Se quiser que vá sozinho…
-Isso nunca! Eu não prometi que ia ficar com você pra sempre?
-Prometeu…
-Então eu vou ficar pra sempre com você, não importa o que acontecer. Mas eu não quero que nada de mal aconteça com você
-Mas eu não agüento mais! – e se sentou no meio-fio, a cabeça entre as pernas – eu só queria uma vida normal…
-Pois é, mas a culpa não é nossa… Depois que tudo isso acabar vai ser tudo melhor, eu prometo..
-Promete, promete! É só isso que você sabe fazer…
-Eu faço tudo o que posso! Queria mais o quê?
Ela pára, enxuga uma lágrima com a manga da blusa e se acalma:
-Sei lá…
Ele olha o relógio, precoupado:
-Escuta, entra no carro e a gente vai embora agora mesmo. Pra bem longe, onde eles não podem nos achar. Vamos?
Ela levanta devagar e entra no carro. O gato continua a mexer na lata de lixo.

Perto da linha de trem um carro preto fecha o caminho e os faz parar bruscamente. Dois homens descem e se aproximam e puxam os seus revolvéres de dentro do paletó. Ele sussura:
-É agora. Faça exatamente como combinamos.
-Tudo bem.
-Só mais uma coisa…
-O quê?
-Te amo.
-Eu também te amo.
Quando os dois homens chegam perto são surpeendidos e mortos. Estava tudo escuro, não posso dizer como aconteceu exatamente.
O carro do casal sai disparado e de tão eufóricos (e de tão escuro que estava) nem percebem que havia um penhasco depois da linha do trem.
Três dias depois encontraram os dois corpos de mãos dadas.

(Observações a respeito do texto:
1- Espero que tenham paciência pra ler. As pessoas que visitam blogs não costumam ler textos com mais de três parágrafos;
2- Este texto foi feito sob o efeito de:
-Secret Agent Man (Johnny Rivers),
-Miserlou (do filme “Pulp Fiction”),
-Twiggy, Twiggy (Pizzicato Five),
-a música tema do Inspetor Bugiganga,
-filmes policiais baratos norte-americanos
-e de alguns bombons de licor;
3- Eu quase fiz um final mais sério. É isso que dá se envolver tanto com as histórias;
4- Esse texto foi de um jeito diferente, foi sendo escrito enquanto vinha à minha cabeça. Mas não sei por que isso interessaria à alguém;
5- Esqueci qual era a última observação.)

E agora com licença, que eu tenho mais o que fazer.

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