Capítulo Cinco – Se eu fosse um bicho, eu seria um tartaruga.

sábado, 15 março 2003 § Deixe um comentário

A única coisa que nunca muda em mim é essa vontade de sempre mudar. Paradoxo ou mentira?
A vida não é bela. Nem totalmente injusta. Nem tudo é preto ou branco, há os vários tons de cinza. E todas as outras cores, inclusive aquelas que você não vê.

Coerência?

Com a trilha sonora certa, até uma criança brincando na praia pode parecer uma cena triste. Alguém que já morreu sempre parece meio triste quando aparece na tv, mesmo que estivesse alegre. Algumas tartarugas vivem quase duzentos anos. Existem alguns insetos que vivem somente algumas horas. Os alcoólicos anônimos vivem um dia de cada vez. Tem gente que sobrevive com menos de um dólar por dia. Eu deixei de viver já faz um tempo. E todo dia nasce mais gente do que morre. Mas todo mundo morre.

Eu acho.

A morte é a única certeza na vida? Eu diria que a única certeza na vida é estar vivo. Outra certeza é que todo mundo nasceu. Todo mundo respira, todo mundo come (apesar de uns malucos que dizem fazer fotossíntese), todo mundo bebe. Todo mundo defeca, todo mundo urina. Todo mundo pensa (pensar coisas inteligentes já é querer demais), todo mundo tem um coração batendo.
A vida é muito mais previsível do que me ensinaram.

Eu não precisava escrever tanto. Precisava sim. Dormir também seria legal. Ou escovar os dentes. Ou escovar os dentes e depois dormir. E daí que são nove e meia? Já dei comida para os cachorros mesmo. Pra gata, não, eu não sei onde ela está. Gente pelada é uma coisa engraçada. Eu queria ficar pelado, mas tenho vergonha. Nos meus sonhos às vezes eu estou pelado. Só eu e ninguém parece notar, mas mesmo assim fico com vergonha. Freud explica. Eu não, nem quero saber.

As idéias começam a falhar. A ignorância de vez em quando faz bem. A sabedoria também. Rimar é legal. Então pega no… Êpa! Sem baixaria!
(Não se ofenda, eu me arrependi desta última frase.)

Adolescente só pensa em sexo e música. Talvez em fazer sexo ouvindo música. Alguns pensam em se matar também. E a morte já apareceu demais neste texto. E hoje está um péssimo dia pra se matar. Está ensolarado lá fora e eu ouço passarinhos cantando! Isso quando os carros param de passar.

Isso tudo não faz muito sentido, então fico pensando como poderia acabar, por que eu não queria acabar de repente. As tartarugas podem se esconder dentro do próprio casco. Eu tenho que usar o meu cérebro. Pra inventar algo pra me esconder, não pra me enfiar dentro. Sentir culpa é foda.

E a vida não é boa nem má. Mas segue em frente. Então deixa eu ficar de mau-humor, nem que seja por enquanto. Só.

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