Capítulo Dois – O Corpo

quarta-feira, 26 fevereiro 2003 § Deixe um comentário

Ela olha e não acredita no que vê. Não pode acreditar que foi a culpada, mas como poderia saber? Afinal ele é que veio procurar prazer ali. Isso mesmo: prazer. E não adianta vir com esse papo de necessidade que ela não acredita. Sabe que na sua casa se escondem os maiores prazeres pra esse tipo de ser repugnante.
Mas o que importa agora não são os culpados nem os motivos, o problema é o corpo boiando na sua frente. O que fazer?
Olha para os lados: ninguém à vista, menos mal, assim é mais fácil. Mas então, retirar com as mãos nuas? Poderia usar algo que a ajudasse, mas como sem ninguém perceber?
-Te odeio – disse para o morto com os dentes cerrados pra abafar o som da sua voz.
Então uma idéia repugnante veio à sua cabeça. Negou com veemência a idéia a princípio, mas achou que não haveria outra saída. O marido já estava chegando. Prendeu a respiração e bebeu de uma vez só o leite-com-café-e-formiga-boiando.
-Tudo bem, querida?
-Claro. Me faz um favor?
-O quê?
-Pegue outro pacote de açucar, o açucareiro está cheio de formiga.

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