Capítulo Sessenta – Antes de dormir

outubro 17th, 2004 § 1 Comentário

Sabe quando você se deita na cama à noite e fica pensando na vida? Lembrando daquela pessoa que faz seu coração disparar, pensando nas grandes questões da humanidade, como qual o sentido da vida, se o universo é mesmo infinito e qual o segredo da tostines, aquele momento em que você fica pensando no seu futuro, imaginando o que vai acontecer daqui a alguns anos ou fica se lamentando por que deu tudo errado no dia que passou. Sabe?

Tá. Agora pense na sua vó. É, aquela velhinha simpática (ou não), mãe da sua mãe ou mãe do seu pai. Quanto anos ela tem? 65? 73? 81? O que será que ela fica pensando quando vai se deitar para dormir? Durante o dia inteiro a gente pode se distrair, ver tv, jogar dominó, tirar meleca do nariz, mas a noite não dá pra não pensar em algo quando a gente vai dormir (menos minha irmã, que já começa a sonhar assim que fecha os olhos, uma coisa incrível). Será que sua vó ainda se preocupa em saber como tudo começou? Será que ela ainda fica pensando no seu vô? Ou será que ela fica só lembrando de como a vida era bem melhor antigamente, quando o joelho dela não doía tanto? Vocês não ficam muito curiosos quanto a isso? E o seu pai, já pensou no que ele pensa quando vai dormir? E o seu chefe, seu professor, o gari, o vendedor de cachorro quente? Você ainda pode ter uma idéia do que seus amigos, aqueles mais íntimos, pensam nessas horas, mas e o seu cachorro? Será que ele pensa? Hein? Hein?

Como? Suas duas avós já morreram? Sinto muito, deixa pra lá…
 

Capítulo Cinqüenta e Nove – Momento de sabedoria

setembro 20th, 2004 § Deixe um comentário

“Se cada vez que eu ganhasse um centavo eu ganhasse outro centavo, eu teria o dobro de dinheiro que eu tenho agora.”

 

Capítulo Trinta e Três

agosto 4th, 2003 § Deixe um comentário

Choveu.

Capítulo Vinte e Oito – Edmar

julho 3rd, 2003 § Deixe um comentário

Uns dias atrás cruzei na rua um garoto, de uns quinze ou dezesseis anos, que ficou me olhando até chegar perto de mim e perguntar:
-Você é irmão do Edmar?
Eu não era irmão de nenhum Edmar.
-Não.
-Ah…
E ele continuou o seu caminho.
Agora, fico imaginando o que teria acontecido se eu dissesse que era (ou fosse mesmo) o irmão do tal Edmar. Provavelmente ele só ia dizer pro Edmar que encontrou o seu irmão. Mas aí não ia ter graça. Por isso bolei umas hipóteses mais interessantes:

Hipótese nº 1
-Você é irmão do Edmar?
-Sou
-Ah, então foi você que andou dando em cima da minha namorada, seu filho da puta?!
E quando eu vejo tem três amigos dele em volta de mim distribuindo socos e chutes…

Hipótese nº 2
-Você é irmão do Edmar?
-Sou
-Trouxe o bagulho?
-O bagulho?
-É, porra, trouxe ou num trouxe? É bom ter trazido, se não tu e o Edmar vão se ver comigo!

Hipótese nº 3
-Você é irmão do Edmar?
-Sou, sim, por quê?
-Bem que o Edmar falou que você era um gato! Pena que sua família não entenda sua opção, né?
E se atira nos meus braços tentando me beijar…

Hipótese nº 4
-Você é irmão do Edmar?
-Eu mesmo.
-Pô, Edmilson (deve ser esse o nome do irmão do Edmar), tá lembrado de mim, não?
-Claro que eu lembro…
-Não senti firmeza. Sou eu, o Ricardo, que estudou com o teu irmão.
-Ah, Ricardo…
-Pôxa, Edmilson, tu fica dois anos sem me ver e já não lembra? Eu vivia na tua casa… Grande amigo você, hein? Diz pro teu irmão que eu nunca mais apareço lá!
-Peraí…

Capí­tulo Vinte e Sete – Carpe Diem

junho 11th, 2003 § Deixe um comentário

(leia rápido, a vida é curta)

Sorria pra mamãe. Diz papai. Dá um beijinho na titia. Come tudo. Não gospe fora. Agora engole. Não ande descalço. Não brinque na lama. Não tenha medo. Não brigue com o seu irmãozinho. Divida com a sua irmãzinha. Seja uma boa criança. Se comporte. Não grite! Não chore. Não corra. Escove os dentes. Lave atrás da orelha. Reze pro Papai-do-céu. Durma com os anjos. Acorde. Leve uma blusa. E não esqueça o dinheiro do lanche. Não fale com estranhos. Vá para o seu quarto. E só saia quando eu mandar. Me desculpe. Peça desculpas para o seu amigo. Tome todo o remédio. Agradeça a vovó. Estude mais. Arrume suas coisas. Faça amigos. Beije aquela garota. Assista esse filme. Compre Batom. Compre Batom. Just do it. Leia mais. Ajude as pessoas. Escolha uma profissão. Faça mais exercícios. Tenha calma. Não fique assim. Termine logo. Me entregue o seu trabalho até amanhã. Pára de encher o saco! Escuta isso aqui. Cala a boca. Fale mais alto. Não fume. Não use drogas. Beba um pouquinho. Responda a minha pergunta. Preste atenção. Entre no ritmo. Obedeça. Espere um pouquinho. Me beija. Diz que me ama. Diz que sim. Diga não. Não diga que não sabia. Termine até terça. Me entregue aquele relatório. Fale com o gerente. Me busque um café. Limpe sua mesa. Faça o jantar. Plante uma árvore, escreva um livro e tenha um filho. Cuide dele. Dá a mamadeira. Troque a fralda. Vá falar com o seu filho. Converse com a sua mulher. Abrace os seus amigos. Não seja tão chato. Vá ao médico. Relaxe. Não faça força, coma mais verduras e frutas, não fique irritado. Não se preocupe. Não tenha medo.

Viva bem. Carpe diem. Viva bem. Viva bem.

Descanse em paz.

Capí­tulo Vinte e Seis

junho 9th, 2003 § Deixe um comentário

eu gosto de ser bobo assim
eu gosto de rimas ruins

Capítulo Vinte e Cinco

junho 2nd, 2003 § Deixe um comentário

“A vida é como um sabonete:
vai se gastando
                            [aos poucos

e quando a gente vê já tá no

fim”

Capí­tulo Sete – O Capítulo Sete nunca existiu

março 20th, 2003 § Deixe um comentário

Capítulo Cinco – Se eu fosse um bicho, eu seria um tartaruga.

março 15th, 2003 § Deixe um comentário

A única coisa que nunca muda em mim é essa vontade de sempre mudar. Paradoxo ou mentira?
A vida não é bela. Nem totalmente injusta. Nem tudo é preto ou branco, há os vários tons de cinza. E todas as outras cores, inclusive aquelas que você não vê.

Coerência?

Com a trilha sonora certa, até uma criança brincando na praia pode parecer uma cena triste. Alguém que já morreu sempre parece meio triste quando aparece na tv, mesmo que estivesse alegre. Algumas tartarugas vivem quase duzentos anos. Existem alguns insetos que vivem somente algumas horas. Os alcoólicos anônimos vivem um dia de cada vez. Tem gente que sobrevive com menos de um dólar por dia. Eu deixei de viver já faz um tempo. E todo dia nasce mais gente do que morre. Mas todo mundo morre.

Eu acho.

A morte é a única certeza na vida? Eu diria que a única certeza na vida é estar vivo. Outra certeza é que todo mundo nasceu. Todo mundo respira, todo mundo come (apesar de uns malucos que dizem fazer fotossíntese), todo mundo bebe. Todo mundo defeca, todo mundo urina. Todo mundo pensa (pensar coisas inteligentes já é querer demais), todo mundo tem um coração batendo.
A vida é muito mais previsível do que me ensinaram.

Eu não precisava escrever tanto. Precisava sim. Dormir também seria legal. Ou escovar os dentes. Ou escovar os dentes e depois dormir. E daí que são nove e meia? Já dei comida para os cachorros mesmo. Pra gata, não, eu não sei onde ela está. Gente pelada é uma coisa engraçada. Eu queria ficar pelado, mas tenho vergonha. Nos meus sonhos às vezes eu estou pelado. Só eu e ninguém parece notar, mas mesmo assim fico com vergonha. Freud explica. Eu não, nem quero saber.

As idéias começam a falhar. A ignorância de vez em quando faz bem. A sabedoria também. Rimar é legal. Então pega no… Êpa! Sem baixaria!
(Não se ofenda, eu me arrependi desta última frase.)

Adolescente só pensa em sexo e música. Talvez em fazer sexo ouvindo música. Alguns pensam em se matar também. E a morte já apareceu demais neste texto. E hoje está um péssimo dia pra se matar. Está ensolarado lá fora e eu ouço passarinhos cantando! Isso quando os carros param de passar.

Isso tudo não faz muito sentido, então fico pensando como poderia acabar, por que eu não queria acabar de repente. As tartarugas podem se esconder dentro do próprio casco. Eu tenho que usar o meu cérebro. Pra inventar algo pra me esconder, não pra me enfiar dentro. Sentir culpa é foda.

E a vida não é boa nem má. Mas segue em frente. Então deixa eu ficar de mau-humor, nem que seja por enquanto. Só.

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